domingo, 22 de agosto de 2021

VIDEOS SELECIONADOS - TIMELINE:BH#6 2021

 PROG 01 - 55MIN



Hacia atrás - Ricardo Muñoz Izquierdo - COLOMBIA - 2020 - 7MIN

X - Carolina Santana - BR - 2017 - 2MIN15

Objetos encontrados no Rio Tubarão - Elisa Corrêa - BR - 2021 - 1MIN20

Território Inventado 02 - Cristianne de Sá - BR - 2018 -  1MIN52

Falling - Sandrine Deumier - FR - 2019 - 15MIN

Tela Azul - Júlia Lobato Maciel  - BR - 2021 - 3MIN52

Fronteiras - Território de Rupturas - Coletivo Território de Rupturas - BR - ITA - 2020 - 2MIN53

New Paradizo 2 - Ilyushkina Victoria - Maya Popova -  Anton Pestov -  Alexandr Khudiakov - RUSSIA - 2020 - 19MIN40



PROG02 - 57MIN.

Pressure & Release - Kent Tate - CAN - 2021 - 8MIN

Kopacabana - Marcos Bonisson & Khalil Charif - BR - 2019 - 13MIN33

Tomorrow i failed completely - Masha Godovannaya - Russian-USA - 2020 - 6MIN30

olhAR-TE na VIDA + olhAR-TE na MORTE x - Hernando Urrutia - PT - 2020 - 2MIN36

Rútilo cautério - Rodrigo Faustini & jpedrinho9 - BR - 2020 - 2MIN28

Disco Rígido - Theo Tajes - BR - 2020 - 1MIN

Desde el encierro abismal, otra venganza es posible - Diego Argote - CHILE - 2021 - 3MIN25

Pêndulo Lunar ou a impossibilidade de capturar a luz da lua - Bruna Piantino & Sentidor - BR - 2021 - 24MIN18



PROG 03 - 54MIN

Axé, Saravá, Skate - Deia Guandaline - BR - 2020 - 1MIN47

Gemidos Inexprimíveis do pó ao pulso - Yohana Oizumi - BR - 2021 - 2MIN30

DOOM - Randolpho Lamonier e Victor Galvão - BR - 2021 - 4MIN55

Propagation and Detection - Enzo Cillo & Renato Grieco  ITA - 2020 - 7 MIN

Affordance - Jean-Michel Rolland - FR - 2020 - 5MIN46

Autorretratos de Julia Ro em Linha e Movimento - Julia Ro - BR - 2021 - 10MIN26

En lo profundo de la piel - Úrsula San Cristóbal - CHILE - 2020 - 5MIN25

Arroio Part III - Isabela Stresser - BR - 2020 - 15MIN45



PROG 04 - 60MIN

Uchuva - Calixto Bento - BR - 2021 - 4MIN45

Fogo Fátuo - Gabriela Miranda - Matheus Brant - Beto Brant - BR - 2020 - 6 MIN41

Bicha-bomba - Renan de Cillo - BR - 2019 - 8MIN

Rheo ´- Mateo Granillo - MEX - 2021 - 9MIN7

Utensílios Sonoros - Iago Mati e Thiago Salas - BR - 2018 - 14MIN17

O peso da Terra - Alexandre Arthur Silveira - BR - 2019 - 16MIN40


PROG 05 - 60MIN

Fragment I - Andréia Paulina - BR - 2021 - 1MIN31

Electro - Marcia M  Freddi - BR - 2020 - 1MIN57

G0lP3C4D0 -  William Hart - BR - 2017 - 1MIN41

Ultraderecha troll - Amora Ju - BR - 2021 - 3MIN54

Disneyloka 2093 - Erick Ricco  - BR  - 2020 - 4MIN46

Insurrection - Pierre Villemin - FR - 2020 - 9MIN25

Viagem ao Marrocos - André Lage - BR FR - 2020 - 12MIN



Rocha Matriz - Cristal Líquido - BR - 2020 - 25MIN



PROG 6- 49MIN

Poemas esparços - Thales Ferrerira - BR - 5MIN15

Sobre nós - Thainá Carvalho - BR - 3MIN26

Deterioration of the Psyche- Maria Gomes Rueda - Colômbia - 1MIN58

The Seed - Angelina Voskopoulou - Grécia - 5MIN53


REdoma - PV Ferraz - BR - 9MIN57

Aquatica - Camila Venturelli - BR 1MIN

Aérea - Camila Venturelli - BR - 1MIN

Companion -  Jack Williams - GBR - 8MIN55

Echoes -  Izabella Retkowska - Polônia - 9MIN20


Acho que estamos pirados - Marina Viana - BR - 2MIN45


quinta-feira, 20 de maio de 2021

TIMELINE:BH#6 Festival Internacional de Videoarte I Belo Horizonte 2021

 




CONVOCATÓRIA

Estão abertas as inscrições para o TIMELINE:BH#6 Festival Internacional de Videoarte I Belo Horizonte 2021 que acontecerá e setembro de 2021. O TIMELINE:BH#6 segue promovendo novas produções audiovisuais de curtas-metragens em arte eletrônica, vídeo arte e filmes de vanguarda, por sua inovação e criatividade excepcionalmente no formato on-line a ser realizada em setembro de 2021.

A data limite para inscrição: 20 de maio a 20 de junho de 2021.


REGULAMENTO 6º TIMELINE – FESTIVAL INTERNACIONAL DE ARTE ELETRÔNICA DE BELO HORIZONTE

CAPÍTULO I: DA FINALIDADE

TIMELINE:BH#6 Festival Internacional de Videoarte  Belo Horizonte 2021 tem a finalidade de incentivar novas produções audiovisuais de curtas-metragens em arte eletrônica, vídeo arte e filmes de vanguarda, por sua inovação e criatividade. 


CAPÍTULO II: DA INSCRIÇÃO

2.1 – O TIMELINE está aberto às produções nacionais e internacionais, finalizados a partir de 2017. Cada participante poderá inscrever até duas obras, inscritas individualmente. 

2.2 – As inscrições ficam abertas do dia 20 de maio de 2021 a 20 de junho de 2021. Para realizá-la é necessário:

Preencher o formulário.https://forms.gle/dmxcMYXxAJ5Bu9mr9

Preferencialmente os trabalhos inscritos poderão se estender à duração máxima de 20 min. Trabalhos que excederem 20 min. também podem ser inscritos, mas serão avaliados para um único programa, mais criterioso, pois, temos o objetivo de exibir uma maior quantidade de trabalhos de autores diversos. 

Nos casos de criações coletivas, torna-se necessário a apresentação de um autor responsável; este, como os demais, deverá estar de acordo com a projeção do trabalho/obra, assim como com a veiculação e publicação de frames, dados específicos da produção e apontamentos críticos.

É de total responsabilidade do autor ou grupo de autores o uso não-autorizado de propriedades intelectuais de terceiros.

Aceitamos contribuições intelectuais como manifestos, textos críticos e ensaios para serem adicionados ao catálogo.  Os mesmos devem estar escritos em português ou inglês, além do idioma original, sendo também de total responsabilidade do autor ou grupo de autores o uso não-autorizado de propriedades intelectuais de terceiros.

No caso de produções estrangeiras, quando houver diálogos é essencial o envio de lista de diálogo em inglês ou português.

Todas a sessões serão sem fins lucrativos e de caráter não-competitivo.


CAPÍTULO III: DA SELEÇÃO

3.1 – Os selecionados e a programação estarão disponíveis a partir de agosto / setembro de 2021 em: http://www.timelinebh.com/ e na fanpage 

Os trabalhos selecionados devem ser enviados  para download da cópia de exibição da obra filme\vídeo, por meio de Dropbox, Googledrive, Wetransfer, dentro do formato abaixo descrito:

Arquivo Digital no formato MP4 FULLHD (1920X1080), com codec H264, exportado com até no máximo 40 mbps e áudio codec AAC ou DTS observando o teto de 192 kHz / 24-bit.


CAPÍTULO IV: DISPOSIÇÕES GERAIS

4.1 - Todas as cópias enviadas ao TIMELINE – Festival Internacional de Arte Eletrônica de Belo Horizonte faram parte do acervo do festival.

4.2 - A organização do TIMELINE – Festival Internacional de Arte Eletrônica de Belo Horizonte reserva para si o direito de utilizar cenas (até 30") de filmes inscritos na mostra em programas ou produtos que visem promovê-la. 

4.3 – Não serão aceitas correspondências a cobrar em hipótese alguma. 

4. 4 - O preenchimento da Ficha de Inscrição no Googledocs vinculado ao blog da mostra no ato da inscrição certifica o participante à aceitação deste regulamento.

4. 5 - Os casos omissos serão solucionados pela comissão organizadora do TIMELINE – Festival Internacional de Arte Eletrônica de Belo Horizonte



English below

TIMELINE: BH # 6 International Video Art Festival I Belo Horizonte 2021

Call for entries 

Registration is now open for TIMELINE: BH # 6 International Video Art Festival I Belo Horizonte 2021 which will take place and September 2021. TIMELINE: BH # 6 continues to promote new audiovisual productions of short films in electronic art, video art and films from vanguard, for its innovation and creativity exceptionally in the online format to be held in September


The deadline for registration: May 20 to June 20, 2021.


REGULATION 6th TIMELINE - INTERNATIONAL BELO HORIZONTE ELECTRONIC ART FESTIVAL

CHAPTER I: PURPOSE

TIMELINE: BH # 6 International Video Art Festival Belo Horizonte 2021 aims to encourage new audiovisual productions of short films in electronic art, video art and avant-garde films, for their innovation and creativity.


CHAPTER II: REGISTRATION

2.1 - TIMELINE is open to national and international productions, completed from 2017 onwards. Each participant will be able to register up to two works, individually registered.

2.2 - Registration is open from May 20, 2021 to June 20, 2021. In order to register, it is necessary to:

Fill out the form. https://forms.gle/dmxcMYXxAJ5Bu9mr9

Preferably, the enrolled works can be extended to a maximum duration of 20 min. Works that exceed 20 min. they can also be registered, but will be evaluated for a single program, more judicious, because we aim to display a greater number of works by different authors.

In the case of collective creations, it is necessary to present a responsible author; this, like the others, should be in accordance with the projection of the work / work, as well as with the placement and publication of frames, specific production data and critical notes.

It is the sole responsibility of the author or group of authors to use unauthorized intellectual property of third parties.

We accept intellectual contributions such as manifestos, critical texts and essays to be added to the catalog. They must be written in Portuguese or English, in addition to the original language, and the unauthorized use of third party intellectual property is also the sole responsibility of the author or group of authors.

In the case of foreign productions, when there are dialogues it is essential to send a list of dialogues in English or Portuguese.

All sessions will be non-profit and non-competitive.


CHAPTER III: SELECTION

3.1 - Those selected and the program will be available from August / September 2021 at: http://www.timelinebh.com/ and on the fanpage

The selected works must be sent to download the exhibition copy of the work film \ video, through Dropbox, Googledrive, Wetransfer, in the format described below:

Digital file in MP4 FULLHD format (1920X1080), with H264 codec, exported with a maximum of 40 mbps and AAC or DTS audio codec observing the 192 kHz / 24-bit ceiling.


CHAPTER IV: GENERAL PROVISIONS

4.1 - All copies sent to TIMELINE - Belo Horizonte International Electronic Art Festival were part of the festival's collection.

4.2 - The organization of TIMELINE - International Electronic Art Festival of Belo Horizonte reserves the right to use scenes (up to 30 ") from films registered in the show in programs or products that aim to promote it.

4.3 - No correspondence to be collected under any circumstances will be accepted.

4. 4 - Completion of the Registration Form in Google Docs linked to the exhibition blog at the time of registration certifies the participant to the acceptance of these regulations.

4. 5 - Missing cases will be resolved by the organizing committee of TIMELINE - Belo Horizonte International Electronic Art Festival

sábado, 8 de fevereiro de 2020

TIMELINE: BH FOCUS – VIDEOFORMES 2020




















O Festival TIMELINE:BH ensaia aqui, sem prerrogativas para a dor mutável da libertação do pensamento criativo, na presença ou na ausência de um processo de institucionalização da obra e de seu valor para seus autores e admiradores da imaterialidade entrelaçada pelos arriscados fios conectivos, cognitivos e um esquizo-alívio, entre a afirmação e insistência da autoria e a sombra do anacronismo.

Ao visionário cabe indicar o sonho de um possível retorno, tão difícil para o autor brasileiro que entre o acerto e o equívoco dialoga com o mundo. Esta é a missão principal do TIMELINE:BH, festival originado da cooperação com diversos outros festivais, ao tentar fortalecer imagens e pensamentos fundantes do contemporâneo imaginário eletrônico e cinematográfico do cenário neobarroco mineiro (aquele que é próprio de Minas Gerais, estado federativo brasileiro).

O TIMELINE:BH surgiu de uma provinciana discussão de comentários anedóticos sobre sermos barrocos, narrativos e propagadores de “videoarte”, uma espécie de polo cultural, muitas vezes citados em meios curatoriais. Muitos replicam que “somos apenas solidários no câncer”. Se pensarmos assim, o Brasil está em um estado de metástase neofascista. O momento presente necessita da prescrição de antídotos para a defesa do que é humanitário. O artista pensador é a vanguarda no esforço poético para a provocação de boas mudanças.

“porque gastamos nossas asas e findamos por enferrujar
de casa a gente sai, mas não volta
sonhei que eu voltava pra casa
de costas
mais morto do que vivo
ainda mais torto e sem juízo
de costas
mas voltava pra minha casa”
(Sérgio Rubens Sossélla - publicado em panfleto, 1989, Brasil)

Os autores Gregório Camilo e Fernanda Magalhães Ferrari (2019), iluminados pela poesia do saudoso e pouco conhecido poeta brasileiro Sérgio Rubens Sossélla (1942-2003), definem muito bem as inquietudes dos pensamentos referentes à linguagem e ao processo de criação das obras inomináveis das artes eletrônicas imagéticas.

Aqui se aproveita a representação fulgurante de múltiplos mundos e realidades compartilháveis. Também se inicia a revisitação de uma América Latina imaginária, com “Bicho”, do autor Filipe Bittencourt (2016) e sua atmosfera esquizoide, que institui um clima sombrio no interior de nós mesmos, de algo que nos habita e nos limita, mesmo que haja resistência dos espasmos no corpo, o corpo que habita uma arqueologia, casa, corpo, origem.

Em “Metamorfose”, de Arlen Costa de Paula (2019), volvemos a nuances pictóricos de glits guardadas por uma sonoridade linear aristotélica, e assim o autor reconstrói o caos.
Somos a somatória dos arqueos – arquétipos - do grego ἀρχή - arché: "ponta", "posição superior", "princípio", e τύπος - tipós: "impressão", "marca", "tipo" – audíveis e indizíveis. Em  Música Infernal – 3 cena, de Cecilia Cavalieri (2019): reflexos fragmentados da duradoura realidade reacionária que assola o Brasil tanto quanto outros estados nacionais, imagens são transpostas em decodificações midi, uma a uma transcrição agoniada pelo advento de ser e estar no Brasil presente.
Estamos às voltas com a defesa dos pilares do Iluminismo. Como ser liberal ou comuna em um estado que se despeja aos abismos das humanidades mais mesquinhas?

Mas é preciso aliviar. Limitados ao litoral, precisamos buscar o alívio ultramarino, quer seja a África, quer seja o oriente, quer seja a tão amarrada e denunciada nossa herança eurocêntrica. Enfim, no idílio de tantas obras políticas como a de Naiana Magalhães, em “Risca Delirante” (2018), buscamos harmonia e calmaria numa ensolarada tormenta.

Buscar paz e conforto em meio às crueldades barrocas latinas talvez tenha levado a décadas de árduo convívio e autoaprendizado. Nosso ilustre convidado, o argentino Claudio Caldini, clareia nossas realidades com minimalismos de uma sofisticada alusão pictórica abstrata geométrica em “4:4 C” (2017). Muitas vezes, Caldini acena ou indica uma purificação estética que alivia o sofrimento, e nos convida para uma calmaria contemplativa.

Barroco, demasiado barroco, é também o Brasil que conhecemos, em “Feito Não Fantasia Careta”, de José Paulon (2018). O autor expõe em seu espaço privado, que para muitos pode parecer precário, mas com sua obra reafirma-se “vivo!”, a realidade predominante no holocausto social brasileiro. Somos o que soamos ser. Mesmo que uma elite econômica se rejubile alheiamente, fingimos e somos, depois já não somos mais que registros e imaterialidades imagéticas.

Marie Carangi em “Teta Lírica” (2016), estabelece paralelos de síntese, irreverência, autoafirmação e militância feminina, executando uma música abstrata com a movimentação de seus seios na realidade arquitetônica oficial do cruel estado brasileiro cimentado às curvas da Nova Bauhaus, tão revisitada por essa arquitetura: emblemáticos estudos espaciais e acústicos da arte oficial do estado de ferro, cimento e horror brasileiro. A vida passa pelas ondas sonoras e eletromagnéticas de Marie, a provocadora de um Brasil que jazz muito cimentado. Marie não se reduz nem se petrifica.
O feminismo fez escola na arte e na performance. Vozes antes inaudíveis hoje são escutadas, não mais silenciadas, e isso ainda pode ser incômodo aos olhares áridos. Mas é um fenômeno desde muito tempo latente. “Mergulho”, de Dayane Tropicaos (2014) trata-se de um ótimo exemplo da profusão criativa feminina na contemporaneidade, mesmo que muitas pessoas mulheres sigam sendo asfixiadas. A artista segue coerentemente em suas minuciosidades estéticas que existem entre ser e estar impulsionado pela dinâmica da transformação cultural.

Enigmática e singular representação do feminino ganha vida iconoclasta no autorretrato “Renascentista”, de Flávia Coelho (2018), onde sua autoimagem duplicada e replicada em um segundo quadro filmado em tubo de tv e seus raios catódigos, em silêncio reverbera o lirismo presente em Cecilia Cavalieri, Naiana Magalhães, Marie Carangi e Dayane Tropicaos. Essa representação ganha também vozes “apropriadas” em “Period”, de Samy Sfoggia (2019), que ressignifica dizeres íntimos da feminilidade com colagens digitais figurativas em um espaço privado. E ainda “Huevita” (nome carinhosamente feminizado com o diminutivo de da palavra “ovo” em espanhol), de Carol Botura (2016), nos apresenta uma realidade de espaço privado onde uma menininha em um mercado de ovos se esconde e nos convida a um conforto possível, o conforto que encontramos quando reconhecemos nossas origens e nos protegemos em nossos abrigos, mesmo que frágeis.

“a mãe morta (eu sei)
cuidará de mim perguntando
se parece comigo aquele que veio
pra embalar minha ausência no colo gasto
pra beijar saudades com seus lábios mortos
ninguém volta (o mesmo) pra casa
mas agora nem comigo mais eu me esbarro”

(Sérgio Rubens Sossélla - publicado em panfleto, 1989, Brasil)
“Ninguém volta pra casa”, de Gregório Camilo e Fernanda Magalhães Ferrari (2019), exibe um tipo de apreciação visual e emocional que muitos carregam em seu íntimo. A apreciação da geografia de dentro de uma casa fortalece em quem a vê a impressão de que, mesmo estando em casa, nunca voltamos. Ou que, habitando nossa origem, vemos a vida seguir como um ponteiro de relógio: cabras passam pelos arredores semelhantes a toda terra verdejante, em uma vida que se renova em incontáveis seres, mas a câmera ou os olhos que veem não são vistos, tudo se passa no exterior de uma escura habitação, seguem os utopos que iluminam salas e galerias, dispositivos móveis, lugares que transformam espaços em outros lugares, uma paisagem óbvia, uma experiência emocional compartilhável. E assim seguimos derramados em reflexos de olhares em escuros abissais, negando a ausência e superando a morte.

Somos formados de tantas matrizes que ao vermos quem somos nos perdemos na terra e tentamos alcançar as infinitudes. Isso está presente em “Iroko de Bom Jesus”, de Paulo Nazareth (2017), o homem que foi a pé do Brasil aos Estados Unidos e, em seu caminho, se vendeu parodiando aqueles que são comprados pelas nossas matrizes culturais mais ricas e/ou colonialistas no estrangeiro. Nazareth busca a simplicidade, um orixá, um lugar seguro em uma árvore que sustém uma casa, abrigo e origem.

Na arte eletrônica, não raro obra e vida se misturam num processo de acerto e erro; a simbiose entre suporte, obra e autor perpassa o caos. “Analogia Orgânica” de Rafael Fernne (2020), revisita Piet Mondrian e Kazimir Malevich, com glits imagéticos e sonoros, numa cadência de controle e descontrole do caos eletrônico. Nada contemplativo, também revisita seus próprios horrores, simpatias, antipatias e apatias como quem cria, contempla ou insiste.

Casa, origem e impermanências figuram nos cotidianos de qualquer povo, etnia ou nacionalidade. O primordial é materno. A placenta atenua os agudos e nós ficamos ritmados ao bater dos corações mais próximos de nossos ouvidos no tempo uterino de nossa vivência: nossos corações e o coração materno. Saímos do conforto para um abrupto viver. Crescemos e seguimos em equivocadas humanidades. Escutamos dizeres de atos e fatos “desumanos”, demasiadamente humanos. “Matriarcal”, de Nicolly Rejaira (2019), autobiografia do núcleo familiar da própria autora, segue em uma relação de espaço, tempo e memória, negando as leis da física com afetos, relações interpessoais familiares e vivências cotidianas de uma típica casa de latino-americanos: tempestuosos rumores televisivos, políticos e religiosos; singularidades étnicas de um espaço privado. Assim seguimos hoje atordoados, antes que, definitiva noite, a morte nos consuma.

Aqui no TIMELINE:BH costumamos dizer: não é porque é experimental, performance ou videoarte que precisa ser feio ou cansativo, mas que seja transformador. E assim estamos caminhando para nossa sexta edição como festival estabelecido. A beleza está na transformação do indivíduo que assiste ou que exibe. Entre o insight e o fazer, rebuscamos obcecados por formas e procedimentos técnicos.

Existe luminescência em imagens e pensamentos de autores em todo lugar, seja qual for a realidade aparente transcriada em patrimônio cultural imaterial. Sempre haverá morte mesmo que o futuro seja o teletransporte.

Curador I TIMELINE: BH FOCUS – VIDEOFORMES 2020
Carlosmagno Rodrigues

01 - BICHO (CRITTER) - Felipe Bittencourt - 2min. - 2016 - Brasil









02 - MÚSICA INFERNAL – 3 CENAS - Cecilia Cavalieri - 1min. - 2019 - Brasil









03 - METAMORFOSE - Arlen Costa de Paula Brasil - 6min - 2019 - Brasil









04 - RISCA DELIRANTE - Naiana Magalhaes, 2018 - 2MIN.37 - Brasil









05 - 4:3 C - Claudio Caldini - 2017 - 2MIN.52 – Argentina









06 - FEITO NÃO FANTASIA CARETA -José Paulon - 39SEG. - 2018 - Brasil









07 - TETA LÍRICA - Marie Carangi - 4MIN51 - Brasil









08 - MERGULHO - Dayane Gomes - 1MIN9 - Brasil









09 - RENASCENTISTA - Flávia Coelho - 2018 - 2MIN. - Brasil









10 - PERIOD - Samy Sfoggia - 2019 - 1MIN15 - Brasil









11 - HUEVITA - Carolina Botura - 2016 - 1MIN30









12 - NINGUÉM VOLTA PRA CASA, DE SÉRGIO RUBENS SOSSÉLLA - Gregório Camilo and Fernanda Magalhães Ferrari -2019 - 2MIN.20 - Brasil







13 - IROKO DE BOM JESUS - Paulo Nazareth - 2017- 4MIN.17 - Brasil









14 - ANALOGIA ORGÂNICA   - RAFAEL FERNNE - 1MIN.30 - BRASIL









15 - MATRIARCAL - Nicolly Rejayra - 9MIN. - 2019 – Brasil









Festival 2020 : 12 > 15 mars | Expositions : 12 > 29 mars
Evénement Facebook VIDEOFORMES 2020 : urlz.fr/bzQD


VIDEOFORMES | Digital Arts
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